domingo, 7 de agosto de 2011

Protelando o suicídio

Outra manhã sucede ao prazer exagerado de ontem. Poderia ser o Apocalipse, mas é domingo - criação insuportável de quando os deuses ferviam em cólera. Quintessência do tédio, as extravagâncias de Bach desenrolam-se ao compasso de sucessivas cervejas. Última fração de luz para os suicidas, a saúde e as finanças debandam depois de todas as aventuras por águas-furtadas e sarjetas. Porém, se não soa indigesta a ululante bravata, que desilusão poderia arroubar o desiludido? que esdrúxulo infortúnio, por capricho, lhe assaltaria despreparado, numa estranha esquina inédita, de supetão? - Ah utopistas!, quanta moralina, quanto emplasto atarantando e obscurecendo as perversões divinas...  

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