sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Roberto Piva

Hoje Roberto Piva morreu, parecia imortal entre o séquito de pederastas. Ler Rimbaud não lhe fora suficiente; evocar xamãs nos cumes frios e grotescos de suas nóias não fora suficiente. A vida não escusa o destino, que sendo uma taberna clara no fim do mundo, é aconchegante a todos que se gabam das frágeis máscaras de couro nas quais se escondem, como se o tecido fosse uma verdade mais loquaz que a quietude com que anda entre nós o perene. Um "Urra a Piva" no prostíbulo factual dos sonhos! A piedade, sendo descascada nas avenidas de carne do estado moderno, protela o salto quântico do homem - é de nossa alçada ser parte do mundo, fixar-se à cada pavimento como se a pele fosse feita de gosma. A degradação exerce com mão de ferro o duro poder institucional, e como deuses que não perdoam e são implacáveis no seu despotismo, subjaz cruel nos vácuos de nossa consciência. É preciso se despir em plena Avenida Paulista! Não queremos a piedade carismática das velhas no domingo à tarde! Embevecidos com a objetividade dos carros e dos prédios, que sejamos como uma onda de terror no oceano de pedras e gente bêbada das metrópoles modorrentas!
Não esqueceremos da sua tumba fazendo recitais onde se declamam poesias pubescentes - azinhavramos até o jazigo com buquês de flores caras: uma horda de beats loucos com olhos derretidos sob o sol de satã, gemendo os últimos versos ao poeta-pederasta: "Se eu fosse piedoso o meu sexo seria dócil e só se ergueria aos sábados à noite!"

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