segunda-feira, 1 de março de 2010

Álcool

há no mundo milhões de casas
aclimatando o degredo. o grunhido dos pequenos pássaros estivais,
encimados sobre os fios dos postes, não atravessam mais as janelas,
nem as portas que se fecham ao primeiro raiar de dia,
e só há fuga para tudo isso porque o álcool e a poesia ainda nos permitem a liberdade,
mesmo que falseada, por ser, como qualquer outra, regozijada num momento de sono,
onde os nossos olhos idealizam mundos ilusórios estando fechados.

Não importa com quantos anos, ou o cargo que ocupemos
pois, à parte o fato de haver o degredo em cada casa,
viver só chega às últimas conseqüências quando a razão se atrofia
e a afundamos, como uma moeda de metal caro, dentro de um copo embebido de álcool.

Pois que façamos liras a partir de cordas esticadas,
prolongando o pensamento à verdade que jaz, ébria, dentro de cada garrafa de vinho.
Tudo se limita por não estarmos bêbados
e não cogitarmos isso.

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